Biografia – saiba mais

Infância

Nasci no bairro da penha, a minha paixão pela dança manifestou-se desde que eu era muito pequena. Gostava de dançar por todos os cantos da casa, na frente dos espelhos, no quintal, na frente da tv, creio que foi por causa desta minha “mania” que aos seis anos de idade , meus pais me levaram numa aula da dança, provavelmente a única que existia no nosso bairro.

Destas aulas lembro-me apenas que vestiamos um uniforme de blusa branca com bolinhas vermelhas e uma mini-saia vermelha, e foi com este uniforme que tiraram a minha primeira foto de bailarina e na ponta dos pés !
Tempos depois me tornei aluna da professora dilma de lima, discípula da polonesa halina bienarka, com quem estudei balê clássico durante sete anos até o Inicio da puberdade…

Na adolescência fiz críticas severas ao bale clássico enquanto linguagem expressiva, mas nunca critiquei a querida professora dilma, creio que a qualidade amorosa no trato com as alunas, inata e intuitiva desta professora foi importante no meu aprendizado.

 

Adolescência

Ao entrar na puberdade deixei o bale clássico, aprendi e pratiquei as danças folclóricas israelis, as cirandas – danças coletivas – hoje chamadas Danças circulares.

Aos 17 anos, encontrei minha segunda mestra de dança, renée gumiel com quem estudei até 22 anos participando de muitos espetáculos por ela coreografados. Renée criticava profundamente o bale clássico como uma técnica conservadora, fechada, romântica, que não correspondia ao nosso tempo. Ela chamava este trabalho de dança moderna expressionista. Os movimentos da dança que propunha eram exageradamente torcidos, diria carregados de emocionalidade. Havia uma técnica por trás desta dança que delineava uma preocupação com a origem do movimento. Nas aulas trabalhávamos na barra, fazímos exercícios no solo, só que agora com os pés descalços e na posição paralela, valorizando o movimento para dentro, nada era para fora (en dehors).
Renée gumiel de origem francesa, que chegara no brasil em 1955, nos contava de sua trajetória política. Com o sotaque carregadíssimo – esta francesa de cabeça “aberta”, feminista, dizia que tinha sido aluna de kurt yoss e que conhecia as danças do oriente. O que me empolgava era sua narrativa sobre a sua participação na resistência francesa e suas danças na prisão durante a revoluçao anti-franquista na espanha. Agora não nos denominávamos bailarinas, era quase uma heresia, éramos dançarinas e a imagem da dançarina meia guerreira, revolucionária, que dançava o que vinha de “dentro”, sem sapatilhas.
Eu gostava muito mais de dançar do que das aulas de técnica, eu gostava de poder entrar de costas no palco, da emocionalidade desta dança que rompia regras.
Com esta mestra, no entanto, tudo o que fazíamos era a cópia de seus movimentos. Não havia uma técnica de improvisação, o que fui encontrar tempos depois nas aulas de maria duschenes.
Na escola de renée também fiz aulas de técnica marta graham e mercê cunnigham, com ruth rachou.

CURSO INTENSIVO DE DANÇA AFRO-BRASILEIRA COM MERCEDES BATISTA

No exterior

Queria ser filósofa-bailarina, cursava o 2ºano de filosofia na usp, quando interrompi o curso e fui viver por uns tempos em israel. Frequentei em tel-aviv o curso de dança moderna com gertrudes kraus, participei das aulas de técnica marta graham com o grupo de dança bat-sheva (grupo bastante famoso em israel e no exterior).

De volta ao Brasil

Voltando ao Brasil continuei minha busca de uma dança mais livre, “mais natural”. Foi quando comecei a frequentar as aulas de maria duschenes – bailarina de origem húngara – que trouxe o método de rudolph laban para o brasil. Frequentei seus cursos por um período de 10 anos. Com esta mestra realizei formação em dança educacional, performer e improvisação do movimento, participando de diversas apresentações de improvisações em grupo e do espetáculo “magitex” na 1ª bienal latino americana em são paulo. A aprendizagem do método de r. Laban me propiciou a oportunidade de vivenciar, praticar e reconhecer o amplo e inesgotável universo de estudo sobre a movimentação humana.
Me vi envolvida por completo no conceito que a profª maria duchenes transmitia nas aulas, onde a dança era desenvolvida como um trabalho de investigação das possibilidades de movimento segundo o repertório de cada corpo, possíveis de serem decodificados numa gramática universal.

Grupo ex de dança contemporânea

Depois do espetáculo magitex eu e mais cinco alunas de maria duschenes fundamos o nosso próprio grupo de dança, o grupo ex de dança contemporânea.
Este grupo permaneceu junto por dois anos consecutivos . Criamos várias coreografias, “c.q.d.”, “cadê”, “aquele que fala”, “ nós por nós mesmas”, apresentadas em diversos festivais e teatros de são paulo, rio de janeiro e salvador. “- Todas coreografias tiveram música ao vivo criadas para o grupo, certas vezes os movimentos das dançantes eram as partituras, e em outras os músicos criavam a música que foram por nós coreografadas. Havia uma coerência no fazer e no pensar, era tudo muito original e diferente para o cenário da dança desta época.

Escola aanga

Neste período eu e mais uma integrante do grupo de dança fundamos uma escola, aanga centro de pesquisa do movimento que sediava o grupo ex de dança e onde me dediquei ao ensino que denominei “consciência corporal e movimento expressivo”. Mesclava princípios de laban, criava temas de improvisações de movimentos, e mais tarde fui acrescentando meus estudos em eutonia.
Trabalhos como coreógrafa e intérprete:

Atividades de educação e ensino:

Direção e apresentação de uma performance “’com-vivência e improvisação” com alunos da aanga no sesc pompéia.

Cursos de aperfeiçoamento, vivências, especialização

Durante um longo período frequentei diversos modalidades de cursos e vivências corporais que foram bastante importantes para meu auto-aperfeiçoamento: teatro-educação com joana lopes, yoga com rute metzner, tai-tchi-chuan com mestre liu, técnica de manipulação rolfing terapia yunguiana, que me propiciaram embasamento para meu desenvolvimento pessoal e profissional. Nesta minha busca de auto- conhecimento e aperfeiçoamento, experimentei o trabalho de eutonia e vim a descobrir um caminho que reconhecidamente se tornou à base de meu trabalho com educadora, terapeuta e dançarina.

Eutonia

Quando conheci a eutonia tive a sensação que um raio caiu na minha cabeça , exclamei: “esta eutonia será à base de meu trabalho”.
Realizei minha formação em eutonia em buenos aires na 1ª escola de eutonia da america latina durante os anos 89-91. Nos anos seguintes realizei curso de pós-graduação também em buenos aires.
A eutonia uma educação, uma terapia, uma arte do corpo, cujo objetivo é despertar e cultivar a consciência da unidade psicofísica de cada indivíduo, proporciona, através da sua pedagogia uma infinidade de recursos para o desenvolvimento pessoal e artístico. Criada por gerda alexander (1908-1994) – a partir de questionamentos sobre a utilização dos movimentos antinaturais na dança- chegou ao brasil nos anos 80 introduzido pela chilena joyce riveros e a argentina
Berta vishnivetz.

“aisador”em parceria com diana tabacof no mam ,salvador bahia.
“caminhar” dança solo centro cultural vergueiro.
“wadabê dança e mito” parceria com enoque santos
“uma- mitos femeninos” com ana figueredo e grupo
“dança solo i”, com a violaocelista adriana holtz

Produçãoe coordenação dos eventos no centro senac de educação em saúde:

“pensar o corpo i” , pensar o corpo ii” , pensar o corpo ii i” para o curso de pós-grad. Dinâmicas corporais como expressões terapêuticas.
Direção e concepção coreográfica: ‘ a dança da paz”na praça gandhi
Direção e concepção coreográfica : “performance coletiva” com alunos do curso “dinâmicas corporais como expressões terapêuticas”, faculdade senac ciências
Da saúde.

-instituto palas
-sesc
-senac
-mestrado

Atividades artísticas: direção, produção,bailarina-interprete, coreógrafa:
O grupo ex-de dança contemporânea

Ex-alunas da maria duchenes,todas coreografas, criamos diversas coreografias apresentadas em teatros de são paulo, salvador e rio de janeiro.

C.q.d ”,”cadê”, “aquele que fala”, ”nós por nós mesmas

Eutonia

A Eutonia é um método de abordagem corporal com aplicações tanto pedagógicas quanto terapêuticas que orientam e reeducam os hábitos corporais e a postura visando à promoção da saúde e ao equilíbrio
físico-psíquico.

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